Abaixo, existem duas reportagens sobre limpeza e conservação de Lp's.
A primeira foi publicada na extinta revista Som Pop. Na ocasião, conforme você poderá perceber pelo título da mesma, os Cd's ainda não existiam no nosso mercado. Se você souber o ano e número da revista em que a publicação foi feita, por favor entre em contato com a designer para que a informação possa ser adicionada à mesma.
A segunda pertence ao site http://planeta.terra.com.br/educacao/audiolist/artigos/limpeza_lp.htm
Ambas são longas, mas contêm dicas
preciosas para colecionadores.
Enquanto
o disco digital não chega, cuide bem de cada LP de sua coleção.
Fonte: Revista Som Pop
É provável que muitos audiófilos se surpreendam ao calcular o valor de suas coleções de discos. Especialmente quando esse valor se mostrar superior ao do próprio equipamento de som - sentimentalismo à parte (que pode representar muito, para alguns). E como os discos continuam sendo cada vez mais prestigiados como fonte de reprodução sonora, evidencia-se a importância de mantê-los no melhor estado de conservação possível. Isto exige uma certa habilidade manual, uma grande dose de paciência, e alguns conhecimentos de como fazê-lo, além dos acessórios de praxe, naturalmente. Contudo, o tempo despendido nesta atividade tornará mais seguro o investimento feito em discos, particularmente a médio e longo prazos.
Outros cuidados com os discos devem começar no ato da compra, e continuar indefinidamente. Antes de comprar um disco examine-o a olho nu. E rejeite-o se encontrar superfícies gravadas apresentando traços de cola (usada para colar os rótulos) empenamento do disco, superfícies riscadas ou arranhadas, e marcas de dedos nas superfícies gravadas. O primeiro defeito é exclusivamente devido ao processo de produção. O segundo pode ser atribuído ao processo de produção e/ou estocagem indevida. E os dois últimos problemas geralmente resultam da manipulação incorreta do disco.
Porém, como nem todos os defeitos são visíveis a olho nu, é conveniente que logo após a inspeção visual, e ainda na loja, o disco seja reproduzido dos dois lados, e também rejeitado caso se constate alguma irregularidade. Este último teste não deve ser feito quando a aparelhagem da loja não está em bom estado, o que é especialmente aplicável à agulha. Agulhas rombudas ou excessivamente gastas podem arruinar definitivamente o disco, mesmo após uma única reprodução. Portanto, se houver alguma dúvida com relação ao equipamento da loja, nem tente.
Para proteger o consumidor, alguns discos são vendidos com a embalagem lacrada, e por isso não podem ser previamente examinados na loja. Portanto, logo após a compra o audiófilo deve examinar e ouvi-los em casa, e no caso de constatar algum defeito, reclamar imediatamente ao vendedor.
Os discos em si são protegidos por um invólucro de papel ou de plástico, conjunto esse que por sua vez é resguardado por uma capa de papelão mais ou menos grossa. Algumas vezes, essa capa já é a embalagem final do disco; em outras, ela é envolvida por um plástico transparente, ou por papel celofane. Neste último caso, remova e descarte o papel celofane imediatamente após a compra, pois como ele vem bastante esticado, pequenas variações de temperatura podem provocar sua dilatação e contração, de forma a empenar o disco irremediavelmente.
Os discos não devem ser guardados sem a proteção do invólucro, caso contrário, a parede interna da capa, geralmente bastante rugosa, pode riscar as delicadas superfícies do disco, e ainda, nelas depositar fibras de papelão.
COMO PEGAR
Freqüentemente, a maneira incorreta de manipular os discos acaba por dificultar bastante o processo de conservá-los. Para tirar um disco da capa é recomendável segurar o invólucro, pressionando-o suavemente com os dedos, mas o suficiente para puxá-lo da capa juntamente com o disco dentro. A seguir, o disco deve ser retirado do invólucro o mais vagarosamente possível.
A pele humana contém uma substância gordurosa que, ao entrar em contato com o disco, deixa uma nódoa oleosa, sobre a qual as partículas de pó aderem firmemente. Por isso, as superfícies dos discos onde ficam os microssulcos não devem ser tocadas com os dedos, mesmo durante a operação de retirar o disco do invólucro. Isto se consegue facilmente se o invólucro, com o disco dentro, for colocado na posição horizontal, e todos os dedos da mão, exceto o polegar, forem introduzidos entre invólucro e parte inferior do disco - cuidadosamente, para não encostarem nesta - até atingirem o rótulo central, onde podem encontrar apoio. E com o polegar encostado à borda externa do disco é possível retirá-lo do invólucro, e movimentá-lo sem encostar nos microssulcos. Para melhor movimentar o disco, pode-se segurá-lo com as duas mãos espalmadas, fazendo a pressão necessária sobre dois pontos opostos da borda externa. E também é bastante fácil mudar da primeira posição descrita para esta última, e vice-versa. Para guardar o disco no invólucro, e depois na capa, basta que se fala a operação inversa da de desembalagem, particularmente no que se refere à introdução do disco e invólucro na capa, simultaneamente. E recomendável guardar o invólucro de tal forma que sua abertura não fique coincidente com a abertura da capa de papelão, o que ajuda a evitar o acesso de poeira ao disco
Ao seu primeiro contato com o meio ambiente, o disco começa a ser assediado por toda a sorte de partículas de sujeira em suspensão no ar, como fibras diversas, fumaça de cigarros, partículas de gordura; etc. E o pior é que a agulha; em seu movimento sobre o disco, ajuda a levar essas partículas para o fundo dos sulcos, onde elas ficam firmemente agarradas. Por isso, os discos só devem ficar expostos ao ar do momento em que são retirados de suas capas até que sejam colocados no toca-discos, e vice-versa.
Durante seu movimento de rotação, os discos vão acumulando apreciáveis quantidades de cargas de eletricidade estática em suas superfícies, as quais, por sua vez, atraem partículas de sujeira como se fossem pequenos aspiradores de pó. Assim, durante o processo de reprodução do disco a tampa acrílica do toca-discos deve permanecer fechada. (A recomendação anterior), de tirar e colocar vagarosamente o disco no invólucro tem o objetivo de minimizar o aparecimento de eletricidade estática.
E para evitar a perda parcial do esforço feito para conservar o disco limpo, é importante manter todo o toca-discos limpo, particularmente, prato, que deve sofrer limpeza periódica.
Riscos estragam definitivamente os discos. É preciso evitá-los A forma mais comum de se riscar um disco é por efeito abrasivo, quando o disco é acidentalmente raspado contra um outro disco, ou contra objetos diversos. Por essa razão, os discos não devem ser empilhados, ou colocados sobre (ou sob) objetos em geral, como livros, revistas, etc. Também se deve tomar todo o cuidado com a manipulação do braço do toca-discos, pois qualquer movimento em falso pode fazer com que a ponta da agulha raspe no disco, provocando arranhões e lesando os sulcos. Além disso, não é conveniente colocar ou tirar discos de pratos em movimento.
Muita gente pensa que as agulhas de diamante são indestrutíveis, o que é totalmente falso. E como já foi dito, uma agulha rombuda ou gasta é puro veneno para o disco. Assim, é conveniente que o estado da agulha seja verificado pelo menos a cada cem horas de uso (por técnicos experientes, e devidamente munidos dos instrumentos necessários). Também é extremamente importante que a força de rastreio e a compensação anti-skating estejam sempre corretamente ajustadas Desajustes desses itens, particularmente da força de rastreio podem destruir rapidamente coleções de discos inteiras.
PARA LIMPAR
Existem vários tipos de acessórios fabricados para facilitar a tarefa de manter os discos limpos, que correspondem aos diversos métodos de limpeza empregados. O acessório ideal deveria eliminar as cargas estáticas dos discos, e ainda remover todas as partículas de sujeira lá existentes, sem deixar resíduos.
A consagrada escova de limpeza, que mede cerca de 10 x 5 cm, com 5 cm de altura, possui cerdas mais ou menos longas, em maior ou menor quantidade, com ou sem orientação, dependendo do fabricante. Algumas escovas são projetadas para uso a seco, e outras para uso com fluidos antiestática. E há até as que possuem um pequeno reservatório para o fluído antiestática no cabo, o que ajuda a manter a escova umedecida para um certo tempo de uso. Esses fluidos e soluções antiestática servem para neutralizar as cargas estáticas (e evitar seu aparecimento futuro), e para facilitar a remoção da sujeira dos sulcos. Eles são vendidos embalados em pequenos frascos plásticos ou de vidro, e também em latas aerossol.
Os revólveres de ionização desequilibram as cargas elétricas das moléculas de ar nas proximidades do disco, criando condições para a condução das cargas estáticas indesejáveis, que assim abandonam os discos. Algumas vezes eles são vendidos junto com eletroscópios, que são instrumentos de construção muito simples, capazes de detectar cargas estáticas nos discos. (É conveniente guardar os revólveres de ionização fora do alcance das crianças.) Os braços de limpeza são peças plásticas ou metálicas que se movimentam lateralmente como os braços dos toca-discos, pois também são articulados em uma das extremidades. Na outra extremidade fica uma pequena escova, que não só descarrega a carga estática dos discos, como também ajuda a liberar as partículas de sujeiras dos sulcos, que acabam retidas num cilindro com fibras distribuídas radialmente, e que fica atrás da pequena escova. Esses acessórios promovem limpeza automática durante a reprodução dos discos. Com as escovas, alguns braços de limpeza limpam a seco, e outros com líquidos antiestática. Os cilindros de limpeza são acessórios formados por uma fita adesiva, enrolada sobre um cilindro relativamente grande (da ordem de 7 cm de diâmetro), e um cabo. Quando o cilindro é aplicado (rolado) sobre a superfície do disco, as partículas de sujeira ficam retidas na fita. Após o uso, a superfície adesiva deve ser coberta com um plástico, para evitar a adesão de outras partículas, em suspensão no ar. Além desses acessórios, que são relativamente bem conhecidos, há uma grande variedade de outros tipos. A escolha do processo de limpeza mais adequado, e também do acessório a ser usado, ou combinações, depende, além da inclinação natural de cada audiófilo, do estado de conservação do disco antes da limpeza, do tipo de sujeira a ser removida, da causa da aderência da sujeira no disco, e até de se saber se a sujeira é apenas superficial, ou se está profundamente localizada nos sulcos. As escovas de limpeza não só descarregam as cargas estáticas, como também varrem as partículas de sujeiras presas por efeito elétrico. As escovas com mais fibras tendem a limpar mais a superfície dos discos, e as fibras mais duras e mais espaçadas tendem a limpar melhor o fundo dos sulcos. De modo geral as escovas não são muito eficientes para remover partículas quimicamente atraídas aos discos. A remoção deste tipo de sujeira é facilitada com a ajuda de solventes e fluidos antiestática. Estes, entretanto, devem ser usados com extrema parcimônia, pois alguns deixam resíduos indesejáveis, e a composição química de outros pode revelar excesso de álcool, o que facilita o processo de deterioração dos discos. LAVAGEM Discos com sujeira superficial, atraída por cargas estáticas; podem ser tratados com revólveres de ionização, seguido do braço de limpeza. Os cilindros de limpeza são eficientes para remover partículas de sujeira, mas não relaxam cargas estáticas. Por isso, seu uso deve ser seguido do uso do revólver de ionização. Quando os discos não riscados, e que tenham sido sempre bem conservados, apresentam-se muito sujos, pode-se lavá-los. Para tanto, é fundamental considerá-los como peças extremamente delicadas, e assim tratá-los durante todo o processo. A temperatura da água deve estar entre 30 e 35°C, e apenas sabão neutro pode ser usado. Para remover a sujeira, uma esponja bem macia, e molhada com água e sabão, deve ser aplicada suavemente ao disco, em movimentos circulares, acompanhando os sulcos. Para enxaguar, usa-se água corrente até que não haja mais vestígio de sabão. O disco deve ser colocado na posição mais vertical possível para a secagem, e esta deve processar-se naturalmente, sem a ajuda de meios artificiais aceleradores, como, por exemplo, ventiladores. Como traços de umidade podem provocar o aparecimento futuro de fungos, a operação só pode ser dada por concluída quando o disco estiver completamente seco. Algumas vezes, a sujeira vai se acumulando em torno da agulha, até que se forma uma pequena pelota. Quando isso acontece, o som reproduzido torna-se sem vida. Não tente remover a pelota com o dedo, pois a suspensão da agulha, que é criteriosamente ajustada em fábrica, poderia ser danificada. Esta remoção deve ser feita com um pequeno pincel (os pelo de carneiro, nº 2, são adequados para a maioria das agulhas), e líquidos apropriados (geralmente formulados à base de álcool isopropílico). Quanto à posição em que os discos devem ser guardados, a melhor parece ser a vertical. Dai o uso generalizado das discotecas verticais. Os discos não devem ficar nem muito comprimidos uns contra os outros, nem tombados diagonalmente. A incidência direta de luz solar sobre os discos é totalmente proibida, assim como temperaturas muito elevadas. Grandes variações de temperaturas também devem ser evitadas. Finalmente, não é recomendável guardar discos em locais muito secos, onde é baixa a umidade relativa do ar. Essas condições, relativamente comuns durante o inverno, facilitam o aparecimento de cargas estáticas nos discos.
Luiz Fernando O. Cysne é engenheiro eletricista (eletrônica), formado pela Universidade Mackenzie, com pós-graduação em administração de empresas, pela mesma universidade. Depois de trabalhar na Ericsson do Brasil, passou a atuar na Philips, onde é gerente do Departamento da Indústria Eletro-Eletrônica (ABINEE). Possui vários cursos na área de telecomunicações.
Limpeza e conservação de discos de vinil.
Texto de
Nestor Natividade
a partir de mensagens para a Audio List
em Abril / 2000
Uma limpeza das superfícies de um disco, por mais necessário que esta seja, sempre será uma oportunidade de se causar dano ao médium. Assim, um processo de limpeza que venha a ser adotado, qualquer que seja ele, deve sempre ser norteado pela necessidade de ser o mais rápido possível ... para que eventuais danos (imediatos e futuros) sejam os menores possíveis. Para tal ser conseguido, se deve lançar mão, além do solvente universal (a água), também (i) um surfatante e mesmo um outro solvente diluído no primeiro; (ii) uma escova; (iii) secagem acelerada por aspiração.
Uma intervenção como esta, onde
o uso de uma máquina é usada, deve ser usada uma ou duas vezes -- no máximo
-- ao longo de toda a vida útil do disco. Uma limpeza profunda, representa
para a massa vinílica o mesmo que um peeling facial representa para o humano,
tal é o nível da sua agressividade.
1. DISCOS VINÍLICOS QUAISQUER
Imaginando-se um serviço de limpeza profissional para terceiros, ou então, o caso daquele profissional que tem sob sua responsabilidade um acervo discográfico muito grande ou muito valioso (emissoras, bibliotecas, museus, arquivos em processo de transcrição, etc.), ou ainda, até mesmo o amador com grandes coleções para conservar, para todos estes casos é interessante se lançar mão de uma máquina que atenda o volume de serviço pretendido. O endereço < http://www.enjoythemusic.com/recordcleaner.htm > traz as noções de como se construir uma máquina de lavar discos gastando-se uma quantia muito modesta, e ainda assim, capaz de obter resultados virtualmente idênticos àqueles oferecidos por similares comerciais que custam, FOB, quatro dígitos em dólares. É verdade de que se trata de um mecanismo para a lavagem, face por face, de um único disco por vez, todavia, como o exposto explicita em linhas gerais aquilo que é seguro, nada impede àquele mais industrioso a expansão de suas funções para que ambas as faces de dois ou mais discos sejam higienizadas simultaneamente.
O líquido de limpeza a ser empregado, neste caso, deve ser forte o suficiente para que o processo de solubilização dos resíduos seja rápido, mas, entretanto, relativamente inerte sobre o emoliente que faz parte da formulação vinílica e que, em hipótese alguma, deve ser removido -- ele já sofre um processo natural de exsudação que, se acelerado, terminará resultando na formação de 'crateras' facilmente 'legíveis' pela agulha, gerando um tipo de ruído descrito por alguns nesta lista como 'batata frita'. Dentro deste critério existem muitas 'receitas' disponíveis (que podem ser encontradas, por exemplo, em < http://www.enjoythemusic.com/recordcleaner.htm > ).
Entretanto, sabe-se uma das, senão a mais segura, é o uso de água desmineralizada (água para baterias bi-destilada está bom) e álcool de madeira, diluídos na proporção de 50/50 % em volume. As quantidades utilizadas por face é muito pequena, e o produto deve ficar em contato com o disco apenas alguns segundos, sendo auxiliado no processo por uma escova especificamente projetada para o uso em vinil (aquela fornecida com o kit DISCWASHER D4) que um observador com olhos de águia notará que não faz parte do sketch apresentado. Se o refil para a escova DISCWASHER não mais for disponível, será necessário se canibalizar duas escovas completas (no desenho da minha máquina, duas faces são higienizadas simultaneamente). Com uma simples adaptação ambas as faces do disco podem podem ser escovadas e higienizadas simultaneamente. Finda esta etapa, por aspiração todo o produto e a sujeira em suspensão são rapidamente aspirados (por meio de um aspirador de pó comum, cuja mangueira é conectada aos terminais de sucção), deixando o disco, novamente em segundos, mais limpo do que quando saiu da prensa (explico: por mais limpo que seja o processo, sempre resta um pouco de desmoldante sobre o disco quando este é retirado da prensa, e esta é a razão do 'mistério' relativo aos discos 'virgens' -- a agulha às vezes fica suja da primeira à terceira 'tocada' e depois não mais).
Para acervos pequenos, até cerca
de 800 ou 1000 títulos, há uma outra solução, ainda mais econômica que a primeira,
mas ainda capaz de oferecer resultados comparáveis àqueles profissionais mas
sem perder a confiabilidade se corretamente executado. Os discos são limpos
e secos, face por face, com a escova e líquido solubilizante D4 da
DISCWASHER
2. DISCOS MANUFATURADOS EM SHELLAC (78 RPM)
Este material se dissolve em contato
com álcool (mesmo pequenas quantidades deste diluído em água causam grandes
estragos !). Devido ao valor que alguns acervos deste médium alcançam,
somado à sua intrínseca fragilidade, é temerário tratar este assunto em duas
linhas apenas. Para este caso específico, peço aos interessados que aguardem
um artigo que estou escrevendo sobre todo o tópico "limpeza de discos".
3. SELOS
A estampa encontrada em cada face
do disco também é objeto de coleção. Existem técnicas bastante seguras
de se fazer a limpeza de um selo sem comprometer o seu valor. Nunca e
em nenhuma hipótese, durante o processo de higienização de um disco, o selo
deve ser molhado. Um profissional, ao tratar um exemplar qualquer, sempre
e antes de tudo, aplica a este círculo de papel um guarda-selo. A máquina acima
recomendada contempla este dispositivo.
4. CAPAS INTERNA E EXTERNA
Todo um capítulo pode ser escrito
apenas para as capas, além do fato de também serem colecionáveis simplesmente
como objetos de arte. Praticamente na sua totalidade, todas as capas internas
e externas foram executadas em papel ácido, o que significa que, em condições
normais, elas simplesmente desaparecerão dentro de 100 a 150 anos da data da
manufatura do papel. Por outro lado, a química usada no branqueamento
do papel, parte dela, ainda está presente no produto final utilizado pelo fabricante
das capas e esta ínfima quantidade reage (ao longo dos anos) com o selo do disco,
acelerando seu processo de degeneração. Se os cuidados para se neutralizar
o efeito da acidez do papel estão fora do alcance do amador, o mínimo que se
pedir é que ele não seja acelerado, mantendo-se discos e capas longe da umidade
e dos habituais poluentes atmosféricos de uma cidade grande. Havendo necessidade
de substituição do material degenerado, tanto o profissional como o amador encontrarão
suporte nos seguintes endereços adiante citados: primeiro tente o URL
< http://www.audioadvisor.com/browsecategory.cfm?categoryID=VINYLCARE>
e depois tente <
http://www.bagsunlimited.com/ >
5. ARQUIVAMENTO
Discos de shellac de 10 e 12": devem
ser arquivados deitados (se o acervo não for numeroso) e em pé, para grandes
acervos (mas sob condições bastante específicas). Discos 45 RPM de 7": deitados
(idem, idem). Discos vinílicos de 10 , 12 e 16": sempre em pé e em lotes de
10 a 12 unidades cada, todos eles ocupando seus próprios escaninhos, lote a
lote. Pequenos acervos e/ou exemplares com problemas de empenamento originado
por armazenamento incorreto, também necessitam ser arquivados de maneira bem
específica.
6. REPRODUÇÃO
Para diminuir um pouco o desgaste
prematuro da ponta da agulha do fonocaptor, utilizar STYLAST da Formula System,
após a agulha ter sido limpa com o STYLUS CLEANER da DISCWASHER, antes de cada
face de um disco. A escova fornecida no kit da DISCWASHER, corretamente
utilizada, é capaz de, simplesmente, operar milagres, reduzindo níveis mais
que perceptíveis de distorção.
Conservação
O que estende a vida útil de um disco analógico, por mais óbvio que seja, é o cuidado no seu manuseio; a qualidade e conservação do binômio fonocaptor/braço de toca-disco e, finalmente a qualidade do seu arquivamento.
Assim, compete ao usuário o cumprimento de certo rigor no manuseio destas (agora) preciosidades:
(i) lavagens constantes das mãos -- escamações minúsculas da pele, mais os ácidos e proteínas constantes no suor, são verdadeiros pratos de gourmet para colônias de fungos e bactérias. Uma vez estabelecidas, elas são difíceis de eliminar por completo - e elas também devoram o vinil !;
(ii) o tapete do prato, o próprio toca-discos, e o ambiente onde o aparelho de transcrição está instalado -- A presença de partículas em suspensão e aerodispersóides (fumaça de cigarro, charuto e cachimbo, por exemplo) seguramente vão terminar aderidas ás superfícies dos discos. O sarro do fumo, já que o citamos, uma vez aderido à qualquer superfície, esqueça, nem talhadeira retira por completo;
(iii) a higiene executada no ato de tocar -- o uso de escovas secas, imediatamente ao ato de tocar, deve ser entendido como parte integrante do processo 'de tocar um disco'. Existem diversos produtos no mercado que prometem exatamente o mesmo nível de performance (usando adesivos, fibras de carbono, cerdas de pariparoba-rosa, e até mesmo cerdas radioativas, tenho-as todas), mas aquela que r-e-a-l-m-e-n-t-e funciona é a escova constante no kit da DISCWASHER. Corretamente utilizada, ela não gera eletricidade estática e é capaz de escavar o fundo de um microsulco como nenhuma outra, à exceção, talvez, da aplicação de gel (constituído a partir de uma emulsão de PVC); entretanto o gel necessita de uma 'cura' de pelo menos 24 horas o que dificilmente pode ser encarado como um procedimento habitual antes do uso de um disco.
(iv) capas --
após o uso, de imediato, o disco deve retornar à sua capa interna e esta, por
sua vez, colocada dentro daquela externa, mas maneira que a 'boca' da interna
fique (no sentido anti-horário) a 90 graus daquela externa, isto é, 'selada'
contra a entrada de pó e aerodispersóides. O profissional utilizará capas
internas interfolhadas com papel de arroz ou ainda, capa de papel de arroz +
capa vinílica tipo V.R.P.; ambas são boas alternativas.
Nestor
somperfeito@somperfeito.com
Fonte: http://planeta.terra.com.br/educacao/audiolist/artigos/limpeza_lp.htm